03/02/2013

Materiais que libertam fumos tóxicos em caso de incêndio


Os autores  Fernando Pacheco Torgal e  Said Jalali do Grupo Construção Sustentável da Universidade do Minho, – Portugal, tratam , em um dos tópicos do artigo Toxicidade de materiais de construção: uma questão incontornável na construção sustentável, dos materiais que libertam fumos tóxicos em caso de incêndio.

Lembrei do texto e achei oportuno compartilhar as informações publicadas no referido estudo, diante da recente tragédia que expôs falhas técnicas em diversas áreas e a perda de tantas vidas.

(...) Outra situação de toxicidade dos materiais de construção prende-se com a libertação de fumos e substâncias tóxicas em caso de incêndio. Alguns estudos apontam mesmo para o fato de a maioria das mortes em caso de incêndio estar precisamente relacionada com a inalação de gases tóxicos, e também de esse número ter vindo a aumentar desde o fim da década de 80, o que pode estar relacionado com o aumento no interior das habitações de materiais mais combustíveis e mais tóxicos em caso de incêndio (GANN et al., 1994; HALL; HARWOOD, 1995; WU, 2001; LEVIN; KULIGOWSKI, 2005). Liang e Ho (2007) analisaram a toxicidade após a combustão de vários isolantes térmicos e concluíram que tanto o polietileno como o poliuretano apresentam elevada toxicidade, pois excedem o valor limite de 10, correspondente a materiais de baixa toxicidade em caso de incêndio. Esse índice é obtido a partir da análise das emissões de 14 tipos de gases de combustão para uma concentração-base que seja fatal ao fim de 30 min. Esses autores recomendam que a utilização de poliuretano ou polietileno só possa fazer-se se eles forem protegidos por outros materiais incombustíveis. Doroudiani e Omidian (2010) recomendam a não utilização de molduras decorativas de poliestireno, devido à sua elevada combustibilidade e à libertação de fumos tóxicos em caso de incêndio. Estes autores referem que, embora esse material tenha vindo recentemente a ser produzido com um aditivo retardador de ignição, em caso de incêndio, ele gera brometo de hidrogênio, um gás tóxico. (...)

Fonte da imagem: http://www.closerlookinspection.com/vocs.htm
O artigo trata de outros materiais tóxicos utilizados na construção civil, como impregnantes, tintas, vernizes, amianto, materiais radioativos e chumbo.

Conhecer os componentes presentes nos materiais deveria ser uma premissa para a escolha de um determinado produto. Afinal uma construção de baixo impacto ambiental é, também, uma construção com baixos índices de toxicidade dos materiais de construção.

Quando explico em reuniões com clientes: _ olha, este material emite composto volátil orgânico; _ este é altamente tóxico na sua produção;_ este possui baixa emissão de formaldeído, etc...é, justamente, para termos uma atmosfera menos carregada de gases tóxicos. Há gases que são bioacumuláveis no organismo (que não são eliminados pelo organismo), como o caso da dioxina, liberada, por exemplo, na queima de alguns materiais e as consequencias são fatais. E quando não, lembramos de doenças que antes nem ouvíamos falar e hoje praticamente não temos escapatória delas...

Recomendo a leitura do texto “Toxicidade de materiais de construção: uma questão incontornável na construção sustentável”, que você pode ler aqui.

Boa leitura e boas escolhas!

Mais informações: http://seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/view/12753